REVIEW BAB 2026: a promessa e o Pátio Metrópole
- Sociedade, Arquitetura e Arte

- há 6 dias
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Bienal de Arquitetura Brasileira (BAB) Curadoria: Pavilhão Brasil organizado por biomas brasileirosLocal: Pavilhão das Culturas Brasileiras, Parque Ibirapuera.

A BAB promete reposicionar a arquitetura no imaginário cultural brasileiro. É uma promessa ampla, talvez ampla demais para ser sustentada por um único evento. Mas o que a bienal entrega, pelo menos em parte, justifica a aposta.
O ponto mais forte é o Pavilhão Brasil. Ao organizar os projetos a partir dos seis biomas, a curadoria situa a arquitetura no território, na materialidade, nas culturas específicas de cada região.
A proposta é que o público não apenas observe a arquitetura, mas habite, atravesse e vivencie os espaços, ampliando sua relação com o ambiente construído. Quando funciona, funciona bem: a arquitetura deixa de ser objeto contemplativo e passa a ser experiência situada. Isso é raro em eventos do gênero, que tendem ao painel e ao press release.
O problema está no que a envolve.
O Pátio Metrópole abrigará instalações interativas e atividades comerciais, além de cafés e restaurantes, numa simulação de ambiente urbano. A ideia, na teoria, é tornar a arquitetura parte do cotidiano. Na prática, o que se produz é uma cidade sem atrito, sem conflito, sem morador. Uma cidade de vitrine. A mesma operação que a arquitetura crítica leva décadas tentando desconstruir é reencenada aqui como método pedagógico.
Há também uma questão de acesso que o evento não enfrenta. Os ingressos custam R$100 nos finais de semana e R$ 80 nos dias de semana, com venda exclusiva pelo site oficial. Para uma bienal que se propõe a aproximar arquitetura e sociedade, o modelo de acesso é reveladoramente seletivo. Quem é esse público que a BAB quer alcançar? Certamente não é quem mora nas periferias que os pavilhões da Caatinga e da Amazônia pretendem representar.
O veredicto é incompleto, como o evento. O Pavilhão Brasil merece atenção e visita — há trabalho sério sendo apresentado em sua curadoria. Mas a bienal como um todo ainda não resolveu a contradição entre o discurso de democratização e a estrutura que escolheu para realizá-lo. É um evento que pensa em território e pertencimento dentro dos pavilhões, e os esquece na catraca.


